21 de Janeiro de 2010 - “O Caçador de Pipas”

Na quinta-feira pós feriado amanheci cheio de disposição, o que não me fez entender como pude terminar o dia tão mal. Cheguei no trabalho com a mesma disposição que acordei e mesmo em dia agitado consegui render no trabalho e ainda fazer minhas coisas pessoais nas horas vagas.

Na internet alguns colegas comentavam sobre o Cabofolia, micareta de Cabo Frio que começava nesta quinta-feira, e acabei lembrando que tinha de ir a faculdade para retirar um documento para renovação do ônibus universitário. A idéia era ligar pra faculdade e perguntar que horas funcionaria a secretaria mas o burro aqui acabou esquecendo disso. O calor estava infernal.

No fim do expediente tomei um bom banho e com o restante da grana que ainda me restava embarquei pra Cabofri. Se arrependimento matasse é nessa hora que eu estaria morto. Cheguei na faculdade e os preparativos para a micareta que acontece bem próximo ao meu campus estavam a todo vapor e a fila de corpos sarados em trajes veraneios já começava a se formar. Passei pelo local em direção ao campus e lá chegando dei de cara com a porta. Já passavam das 19h e o segurança me disse que a secretaria funcionou até às 18h. Voltei o mesmo caminho com ódio de mim mesmo e de minha burrice.

Tal fato me estressou de maneira que fui me corroendo com aquilo até em casa e no caminho, dentro do ônibus entupido de gente, só pensamentos ruins vinham a minha cabeça. Cheguei em Araruama e fui andando pra casa com um desejo enorme de dar uma de “Veronika Decide Morrer”. Comecei a pensar enquanto minha vida é idiota e lembrar a certeza de que nunca serei feliz de verdade.

Quando éramos pequenos, meus primos e eu gostávamos quando minha mãe pegava a mão de cada um e pelo formato de nossas unhas dizia como seria nossa vida. Nas minhas ela via muita infelicidade, mas dizia pra eu não ligar para aquilo pois era bobagem e eu, criança, realmente não ligava mas hoje vejo que tinha um pouco de verdade nisso. Os maus pensamentos continuavam e ao chegar em casa e dar de cara com nossa dura realidade eles aumentaram ainda chegando a me fazer passar mal. Nesse dia não quis saber de músicas, nem de seriado e muito menos de Naruto. Meus primos nem se atreveram a me perguntar ao notarem minhas feições nada agradáveis e eu sabia que ia ser difícil cumprir com minha sessão de filme do dia naquele estado.

Já eram quase 22h quando me esforcei deixando o mau-humor de lado pra seguir com meu único momento de prazer do dia. Afastei os maus fluidos com um banho quase de descarrego que me deixou no banheiro chorando por quase horas e, quando acabei o banho, botei pra rodar “O Caçador de Pipas”. E eis que o filme me traz de volta a ativa.

Baseado no livro homônimo de Khaled Hosseini o filme que contava a história de 2 garotos afegãos e sua infância no país antes de explodir as guerras até a vida adulta quando um deles regressa ao país, agora dominado por talibãs, para reparar os erros do passado. Como mágica, ao me envolver nas histórias dos personagens do filme, esqueci completamente todos os problemas que ocupavam meus pensamentos. O livro que originou o filme não li, mas li o outro do autor de titulo “A cidade do sol” e assistindo ao filme achei grande semelhança no enredo de ambos, o que era prova de que a produção do filme foi bastante fiel com a história original.

As pipas voavam no céu de paz do Afeganistão de uma época e em outra as ruas eram tomadas por armas e ruínas mostrando que o país teve seu momento de glória onde o povo afegão vivia bem com sua cultura e religião até as desavenças políticas iniciarem. A amizade dos garotos e a traição de um deles chega a fazer ponte com a história do país quando uma parte do povo trai o próprio país e o transforma nas ruínas de hoje.

Lembro de quando li “A cidade do sol” cujo o pano de fundo também era a guerra mas ao contrário daqui era na vida de duas mulheres que a história do Afeganistão era contada. O fim de um dos personagens neste filme me fez remeter ao fim da personagem do livro porém em circunstâncias diferentes. O que tento dizer é que o núcleo ou melhor o centro das estórias de Hosseini são sempre focadas nas pessoas e no seu amor pelo país, apesar de tudo. Em “A cidade” Laila tem de sair do terror da guerra de seu país mas retorna anos mais tarde lamentando todo mal causado a sua terra natal. Da mesma forma, em “O caçador” Amir vai morar nos Estados Unidos fugindo da guerra e retorna para cumprir com uma divida do passado e lamenta ao ver que os céus onde antes voavam suas pipas agora só continham o voo de balas de metralhadores, mísseis e bombas.

“O caçador de pipas” me ajudou a dar um tempo em minhas lamentações ao lembrar que sofrimentos muito maiores haviam pelo mundo. Enquanto eu lamentava minha infelicidade por coisas em partes ‘banais’, um pouco distante dali, num país devastado por desastre as pessoas ainda retiravam corpos de escombros e queimavam os mesmos por falta de tempo e local pra enterra-los. O Haiti ainda sofria e eu tinha que somente agradecer pois por maior que fosse os meus problemas sempre poderia ser pior.

Desliguei o filme e fui dormir conformado e esperançoso de que a vida pode e vai melhorar. Encerro por aqui e espero até a próxima parada de “uma vida em filmes”.

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20 de Janeiro de 2010 - “Divã”

Quarta-feira de feriado na capital e também em AraruCity. Araruama e Rio de Janeiro compartilham o mesmo padroeiro, São Sebastião. Muitos evangélicos ainda vivem descontentes com os feriados católicos mas aos poucos eles vão tomando seu espaço e não duvido nada que em alguns anos surjam os feriados evangélicos também. Isso é o Brasil minha gente e é por isso que eu o amo! Um feriado é sempre bem vindo e neste levantei as 10h.

Feriado lá em casa é sempre igual, junta-se toda a família e quando não tem churrasco tem almoço com carne assada e bate-papo na cozinha, ainda assim eu fiquei em minha toca com meus clipes ligados no último volume do home theater. Após o almoço e um bom banho, já por volta das 15h, decide ir logo pro meu filme do dia antes que o chato do meu primo chegasse aporrinhando.

Botei pra rodar a comédia nacional “Divã”. Sucesso durante anos no teatro, minha outra paixão a qual não frenquento mais devido a falta de tempo e e a falta de melhores produções em minha cidade. O filme protagonizado por Lilia Cabral me fez rir como não ria a tempos com um filme nacional. Já estava com o dvd do filme a algum tempo só aguardando tempo para assisti-lo e esse dia foi a ótima oportunidade, um feriado dedicado totalmente a ele.

A comparação dos filmes nacionais com as novelas sempre existiram mas acho ridículo as pessoas que criticam pois garimpando bem consegue-se grandes talentos na tv. A mania do brasileiro de querer se comparar ao americano é que faz esse mal, querendo ou não a novela faz parte de nossa cultura e mesmo que existam autores, diretores e elencos ruins sempre há aqueles que salvam e Lilia Cabral é uma delas. Atriz dos palcos, das telas e da tv ela é a dona do filme pois domina cada cena com perfeição e interpreta as falas do roteiro facilmente após anos vivendo a personagem nos palcos.

Sentada no “Divã” Mercedes conta a história de sua vida normal sem nem mesmo entender qual a necessidade da terapia em sua vida pois, como ela mesma conta, não se sente triste, nem depressiva e nem outra coisa errada lhe atormenta mas, em certo ponto, dá a entender que o motivo do tratamento pode ser a ‘felicidade’ de sua vida de casada e a partir daí sua vida será totalmente mudada.

As confusões na vida de Mercedes começam quando ela conhece o jovem irmão de uma de suas alunas e se apaixona pelo rapaz. Além da infidelidade ela experimenta maconha, começa a frequentar boates e vive em constante transformações e ‘picotadas’ no cabelereiro. De maneira muito engraçada todas essas confusões são mostradas no filme e eu me acabando de rir com a cena de Lilia Cabral e Gianechini fumando um baseado dentro do carro.

Quem passava perto da minha toca achava que estava maluco, tamanho era o som dos meus risos. Mas eu realmente me acabei de tanto rir com o filme. Mas “Divã” não era só comédia, era a história de uma mulher que, cansada da vida conformada que levava, decide viver.

Mônica é a amiga e confidente de Mercedes, vivida pela engraçada atriz Alexandra Richter e é essa personagem que aumenta o tom dramático do filme quando ele vai chegando ao fim e é com ela que Mercedes prepara a mensagem final do filme nessas frases:

“Quando eu vi essa foto, eu pensei, como  a vida passa né e me deu um medo sabia. Medo de deixar essa vida passar todinha e nunca falar o fundamental. Por que o fundamental agente nunca fala.”

Assim chega ao fim mais um grande sucesso nacional e o segundo filme brasuca que assisti em 2010. Em mim ficou o conforto de que nosso país anda muito bem no cinema e que conseguimos fazer filmes que alegram, emocionam e ensinam e isso tudo “Divã” fez. Desliguei o filme e coloquei os episódios de Naruto pro pessoal ver. Fui dar uma volta e na volta assisti um pouco mais de seriado ainda lembrando as cenas hilárias de “Divã”. Fui dormir e me preparar para a quinta-feira que viria prometendo como sempre um filme ao final do dia. Então até o próximo capitulo de “uma vida em filmes”.

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19 de Janeiro de 2010 – “500 dias com ela”

Após a noite anterior de “Maluca Paixão” com Sandra Bullock, acordei um pouco em cima da hora para ir trabalhar. Com força nas pernas, corri e cheguei a tempo no escritório. O dia correu tranquilamente no serviço apesar de o acúmulo das tarefas do dia anterior terem feito a terça-feira ter um pouco mais de trabalho que o normal. Talvez a expectativa do feriado no próximo dia tenha feito as coisas correrem tranquilamente.

Acabado mais um dia de trabalho e, graças a Deus, dessa vez sem obrigação de ir pra cidade resolver pepinos pessoais. Corri pra casa na expectativa de descansar e curtir mais um noite de filme. O filme sim ocorreu bem, já o descanso, isso é outra história.

Minha casa, ou melhor, a casa de minha mãe é como uma creche, a todo momento tem criança e os pais, mesmo atoa, tratam de jogar seus filhos pra lá e então o desespero começa. Não, não tenho nada contra crianças, já fui uma e convivi a vida inteira com elas. Na minha família nunca falta, entra geração e sai geração e lá estão as crianças de novo. Como disse não tenho nada contra, mas há momentos que tudo o que agente quer é chegar em casa e descansar num local organizado, silencioso e não numa algazarra total e com crianças isso é quase impossível ainda mais quando elas passam de 10.

As pessoas me perguntam: – Quando você vai casar e arrumar os seus?! – Minha resposta é um simples olhar de quem diz: – Acredite, deste mato não sai coelho! Acho que criei um trauma e pretendo conviver com crianças apenas em feriados e encontros familiares, passei minha juventude inteira convivendo com elas, quando estiver debaixo de meu teto quero um tempo de sossego pra mim. Não digo nunca, pois acho que é uma palavra que ‘nunca’ (risos) deve ser dita.

Pois bem, sendo infeliz no meu sonhado descanso procure outra coisa que me entretece e fui pro meus seriados e fiquei neles até resiste ao pedido já frequente pelo anime Naruto. Botei fim no Naruto diário e fui pro meu filme da vez, era hora de cuidar de mim.

A ótima escolha da noite foi a comédia romântica “500 dias com ela”. Botei o filme pra rodar e comecei a me apaixonar, junto com o personagem principal, pela ‘vadia’ Summer vivida por Zooey Deschanel. O ‘vadia’ acima se explica no final do filme pois ao mesmo tempo que Summer é apaixonante, é também odiosa (se é que esta palavra existe). O garoto que protagoniza o filme, que também fez a maravilhosa comédia romântica “10 coisas que odeio em você” se sai tão bem que quem assisti acredita em sua história com todas as forças.

Summer torna-se fascínio para o jovem que poucas vezes namorou, mas com jeito de quem sempre se apaixonou. Em certos momentos me senti no lugar de Tom e sofri junto com ele todas as dores causadas pela sua frustrante paixão. Os 500 dias são mostrados como um quebra cabeças em que precisa ser juntado para se entender toda a história. O formato do tempo no filme torna ainda mais belo o filme de qualidade não só escrita, mas também boa direção, ótimas interpretações e grande edição.

Um lindo filme que te deixa puto no final e que faz lembrar o quanto é triste viver um amor não correspondido. Já vivi muitos e acho que por isso a fácil identificação com o personagem, mas ao contrário dele já me conformei com a solidão e nem por isso paro com a vida. Os amores surgem e vão embora quando menos se espera e em certo ponto Summer é quem tem razão. Quem manda é a vida, não mandamos no nosso coração e muito menos nos corações dos outros. Seria maravilhoso dizer a ele - “não se apaixone” -, ou dizer ao do outro - “me ame” -, mas não é assim.

“500 dias com ela” me fez chorar, rir, torcer, xingar e mexeu muito comigo. Vivi junto com o personagem seus dias de amor e desamor até que lhe chegou uma outra estação e com ela a esperança de que as coisas iam se acertar e a vida continuaria como deveria ser. Desliguei o filme e fiquei na cama pensando nele, tive que assistir mais alguns episódios de Lost pra dispersa-lo do pensamento e só então conseguir dormir.

Findado mais um dia, era hora de recuperar energias para mais emoções de “uma vida em filmes”. Então, até lá!!

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18 de Janeiro de 2010 - “Maluca Paixão”

Acordei em cima da hora para ir pro trampo devido a ter ido dormir muito tarde no dia anterior assistindo “Amor sem Escalas”, tentei ir de bike pra ver se chegava na hora, mas a danada vacilou mais uma vez, conclusão, continuei meu caminho viação canela como costumo dizer. Cheguei no trabalho e a segunda-feira passou calma, por incrível que pareça, já que a maioria das obrigações diárias foram transferidas para o dia seguinte.

Chegou rápido o fim da tarde e antes de ir pra casa fui ao centro da cidade resolver uns lances que ficaram pendentes da semana anterior. Cheguei em casa exausto e com um de chatos azucrinando por mais Naruto. Deixei-os assistir mas só depois de ver alguns episódios de Lost em sua 4ª temporada. Estava revendo todos os episódios da melhor série de todos os tempos para ficar afinado para sua última temporada, que estreará em fevereiro.

Acabada a sessão de Naruto era hora de assistir mais um filme. Escolhi pra essa noite o filme “Maluca paixão” com Sandra Bullock. Botei pra rodar o filme que tem como título original “All About Steve”, que além de ser um ótimo título combina muito mais do que a escolha de título brasileiro. O filme começava mostrando uma Sandra Bullock com visual teen e totalmente falante. Sua bota vermelha escarlate, se é que essa cor existe, é a atração principal da personagem depois de sua boca é claro, de onde só sai conteúdo, em grande parte, inútil.
O filme não estava sendo grande coisa mas, como fã que sou, é sempre bom assistir Sandra ‘maravilhosa’ Bullock. Em certos momentos o filme me lembrou muito o seriado “My name is Earl”, uma maravilhosa comédia que infelizmente foi cancelada no auge de seu sucesso. Sandra Bullock até lembra a Joy da série, só que um pouco mais inteligente que a loura da tv porém menos engraçada. Mas o filme valeu a pena, apesar de não ser ótimo, conquistou seu propósito me entretendo.

Sandra Bullock se despedia com mais um filme do ano em que voltou com tudo pra telas, abocanhando até o Globo de Ouro de atriz dramática por “O lado Cego” e com chances de levar a estatueta mor na noite do Oscar. Eu desliguei o filme e me despedi de mais um dia de “uma vida em filmes”. Até a próxima!

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17 de Janeiro de 2010 - “Amor sem Escalas”

Domingo de premiação em Hollywood e eu acordando em Araruama ás 10h da manhã no pique pra ouvir muita música, assistir algumas séries e um bom filme ao fim do dia.

Posso dizer que tirei o dia pros videoclipes. Juntei todos os melhores clipes que tenho em grande variedade de artistas e estilos, com isso acabei descobrindo o quão eclético eu sou. Para se ter idéia a lista incluía artistas como: Slipknot, System of down, Beyonce, Martinália, Sandy e Jr, Green Day, Shakira, Glee, Colbie Caillat, etc ... Fiquei nos clipes quase o dia todo e quase me esqueci do filme do dia. Acreditam?!

Uma má noticia chegou e perda de alguém chegado da família me fez diminuir o animo com os clipes. Botei pra rodar mais umas sessões de Naruto para meu primo e meus sobrinhos se entreterem e fui dar uma saída para juntar umas idéias que tem me feito chorar por dentro a muitos dias.

Fui pro centro da cidade na intenção de passar no cinema e cumprir com meu filme do dia, cheguei lá tarde demais e a última boa sessão já tinha acabado, não queria assistir a comédia que estava em cartaz por não gostar de seu ator protagonista. A propósito, o filme era “Encontro de Casais” e o ator Vince Vaughn, que além de atuar também roteiriza o filme. Voltei pra casa e escolhi "O Amor sem fronteiras' para ver quando descobri pelo twitter que o Globo de Ouro estava sendo entregue aos seus vencedores.

Botei o filme com George Clooney pra rodar, enquanto lá no Globo de Ouro ele ganhava o prêmio de melhor roteiro. O filme rolava e começava a me conquistar e mostrar porque mereceu o prêmio. Um história dos nossos tempos e uma divertida comédia que me surpreendeu com a interpretação da atriz que é também coadjuvante na ridícula “Saga Crepúsculo”.

O filme se desenvolve com Clooney contando sua história de vida e seu peculiar trabalho de dispensar empregados de empresas que não tem coragem de faze-lo. Mostrando sua casa que é na mais que a fila de espera dos aeroportos, os hotéis e afins de suas constantes viagens. Até que a dupla perfeita começa a aparecer na tela Clooney e Anna Kendrick ficam perfeitos em cena e garota não fica pra traz nem um pouquinho e sua interpretação lhe rendeu a indicação a premiação da noite junto da parceira de elenco Vera Farmiga, que pra mim não é grande coisa no filme não.

Os diálogos da produção dizem o porque ser o melhor roteiro e a busca por milhas de voo do personagem de Clooney não poderiam ser mais originais. O que dizer do papo dos personagens sobre seus cartões de crédito e sua disputa por quem tinha mais milhas de voo, em fim muito bom filme. Mas mais que tudo o que o filme retrata, como se percebe quando vai se chegando ao fim, é a solidão dos dias de hoje, onde o trabalho e o modo de vida que cada um escolhe ter nos afastam das pessoas que amamos e dos sonhos que tínhamos. O personagem de Clooney conquista seu objetivo mas não o que realmente buscava, a felicidade.

O filme acabou e fui dormir com aquela sensação gostosa de ter assistido uma ótima produção de elenco, enredo e roteiro perfeitos. “Amor sem Escalas” foi o título escolhido para o Brasil e até que não se saiu tão mal pelo que se vê da história. Espero poder ver outros bons títulos já que em sua maioria os nomes não combinam muito com o que a história do filme tem a dizer.

Encerro por aqui e até a próxima parada em “uma vida em filmes”.

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16 de Janeiro de 2010 - “Adam”

Após a noite anterior de “Jogo de Ladrões” amanheci com muita dor de cabeça, dor de ouvido e dor de dente prometendo que o dia ia ser difícil, e foi. Levantei e fui ruma ao trabalho, mesmo não me sentido bem.

Ao chegar no trabalho um pouco de alívio ao lembrar que era sábado e como sempre trabalhamos só metade do dia. Ao mesmo tempo já tinha programa nada agradável pra parte da tarde, pagar as contas que não consegui pagar no dia anterior.

Depois de me aborrecer bastante com os atendentes da cobrança voltei pra casa no desejo de aliviar o stress com um bom filme. Mal almocei, lá pra 15h e coloquei pra rodar “Adam”. O filme cujo personagem principal me lembrou muito o Sheldon de ‘The Big Bang Theory’, sitcom americano que acompanho, me agradou bastante e me emocionou muito também.

O clima calmo do filme realmente me ajudou e as lágrimas de desespero do enorme stress se transformaram em lágrimas de emoção. “Adam” é um daqueles filmes cuja produção não é das mais distribuídas e é um filme basicamente feito para festivais, o que é uma pena pois o filme merecia chegar ao grande público nas telas de cinema. Aqui no Brasil parece que seu lançamento se deu direto em dvd, não tenho certeza, mas com certeza merecia sim algum em cartaz no circuito nacional.

Quando peguei o filme pra assistir lembrei de uma enquete que participei no site do CinePop em que uma das questões era: ‘Maior mancada da indústria cinematográfica em 2009’. Entre as opções que agora não lembro todas, marquei a que falava justamente do lançamento de ótimos filmes direto em dvd. Fiquei pensando se era mais uma vez o fantasma da mídia digital rondando o mercado cinematográfico, pois eu mesmo ultimamente tenho assistido mais filmes em dvds do que numa confortável sala de cinema. Logo meu medo foi embora pois lembrei dos sucessos de bilheterias que estão aí pra provar que o Cinema jamais perderá seu espaço, veja ‘Avatar’, ‘Lua Nova’ e até a continuação de ‘Alvim e os Esquilos’ mostrando que o cinema continua com muito fôlego.

Mas “Adam” continuava e eu ria e me emocionava com bela interpretação de Hugh Dancy no papel do cara portador de uma doença não muito conhecida mas real. O filme tenta mostrar que apesar de as pessoas portadoras da síndrome de Asperger, apesar da dificuldade de demonstrar e entender sentimentos, são sim capazes de amar. O amor para “Adam” é diferente dos demais e somente quando encontra alguém capaz de compreende-lo ele se torna capaz de viver esse sentimento.

A bonita história continua mas pra mostrar a difícil realidade dos sofrem de tal mal, o filme leva “Adam” de volta a solidão e ao desafio de viver com a doença, até que encontra ao que o seu jeito se encaixa perfeitamente e começa assim a ser feliz. O filme que começou me lembrando o Sheldon de ‘TBBT’ terminou me fazendo respeitar e admirar ainda mais esses gênios que tamanha inteligência as vezes priva da verdadeira felicidade.

“Adam” acabou e meus nervos acalmaram, decidi então ouvir um pouquinho de música pra animar, mas a fila do aguardo pra mais uma sessão de Naruto já estava na porta. Na toca agora, 'em cartaz' (risos), é hora de Naruto.

Tchau e até o próximo dia de “uma vida em filmes”!!

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15 de Janeiro de 2010 - “Jogo de Ladrões”

Esse foi um dos dias mais difíceis de conseguir cumprir com minha ‘obrigação’ de assistir a um filme por dia, mas explicarei melhor no decorrer desta postagem.

O dia amanheceu com muita chuva. Os raios e trovões me fizeram pular da cama mais cedo que de costume. Pra completar um furo no teto da toca fez pingar em rosto uma gelada gota de chuva.

Mesmo com o temporal o trabalho me chamava e, acredite, mais do que nunca. Uma postagem no Pela arte, atualização do Orkut, uma tuitada rápida e no almoço uma  leitura da info exame de dezembro que já estava empoeirando lá em casa me faz repensar meu modo de usar a internet e todo seu excesso de informação. Dei mais  uma lida no edital do concurso Petrobras e a cabeça só conseguia pensar no que fazer se passar, mesmo sabendo que as minhas chances são mínimas pra não dizer quase nenhuma. Como já tem sido de costume, meu almoço é sempre acompanhado de uma leitura, como terminei com o ‘Clube do Filme’ voltei a ler ‘A menina que roubava livros’. Após alguns capítulos da história contada pela morte, voltei ao trabalho até chegar o fim de meu expediente.

Sai do serviço e fui pro centro da cidade pra pagar algumas contas e quase cai na tentação de uma promoção do tipo pague 2 e leve 3 de dvds nas lojas americanas. A tentação foi maior pois havia uma enorme lista de títulos em dvd que pretendo incluir entre meus filmes de 2010. Resisti a tentação e fui pra casa, sem pagar as contas e já calculando a possibilidade de quem sabe no próximo dia leva-los.

Em casa as pessoas aguardavam pois haveria uma festinha pra minha sobrinha que havia feito aniversário no dia 13. Enquanto os outros comiam bolo e refrigerante eu ligava pra operadora da minha internet pra pedir o reparo que até então não chegava.  Já eram 22h quando decidi que era hora do filme do dia. Minha primeira escolha foi por “Jogo de Ladrões” mas quando coloquei o dvd pra rodar, a porcaria do drive não queria aceita-lo. Já estava meio sem tempo então troquei o filme por “Adam”, mas esse também não pegou. Já estava quase desistindo pois o sono começava a chegar, tinha sido um dia cansativo e não achei que fosse conseguir ver o filme muito bem. Mas, como não podia quebrar minhas próprias metas, passei a mão no meu laptop e voltei com “Jogo de Ladrões” e dessa vez ele começou a rodar.

“Jogo de Ladrões” começava e na tela o grande Morgan Freeman contracenava com o fraco Antônio Banderas num filme de ação cheio de trapaças e enganações que me fez lembrar filmes como “11 homens e um segredo” e até “Missão Impossível”. Como tinha falado, com o sono e cansaço que estava foi difícil agüentar o filme até o final, ao contrário dos filmes que mencionei esse “Jogo de Ladrões” tinha uma trama muito fraca que só me satisfazia quando via o sempre bom trabalho de Freeman. Fui cochilando em grande parte da história mas cheguei ao fim de mais um filme. Desliguei o filme prometendo que assistiria outro dia pois não dei a ele a atenção devida pois algumas cenas até que me agradaram.

Quando o “Jogo de Ladrões” acabou fui pra cama pra retomar as forças para mais um dia de trabalho e mais um dia de “uma vida em filmes”. E então, até a próxima!

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14 de Janeiro de 2010 - “Pandorum”

Chega mais uma quinta-feira e parece que o ano já está passando rápido. Quase 15 dias de 2010 e eu indo para o 14 filme do ano. Levantei as 7h e comecei a caminhar rumo a mais um dia de trabalho.

No trabalho o corre e corre de vai pra loja e volta pra fábrica continuou. Lembrei-me do concurso da Petrobras e ao ler o edital me deparei com apenas uma vaga ao cargo que pretendo concorrer, ainda assim resolvi arriscar e fiz minha inscrição sabendo que se não passar pelo menos servirá como um teste para a próxima tentativa. O movimento na loja não era grande coisa e logo a pessoa a quem eu substituía chegou. Voltei pra fábrica e continuei meu trabalho lá até chegar o fim da tarde e ir para casa.

Já em casa surgiu uma vontade repentina de ver antigos videoclipes. Enchi o pc deles e dançava e cantarolava enquanto dava um jeito na toca. Rolava Guns’n Roses, Red Hot, U2, Oasis, Radiohead, ColdPlay e Nirvana, só rock’n roll da melhor qualidade. Um pouco mais tarde, por volta de 20h coloquei pra rodar o filme da noite, “Pandorum”.

Estava com esse filme a um tempo e com um certo receio de assistir e acha-lo uma merda. Felizmente o filme me surpreendeu com uma produção muito bem feita e uma ótima história de ficção científica. No elenco do filme Dannis Quaid e Ben Foster vivem dois tripulantes de uma nave sem conhecimento imediato de sua missão devido a amnésia causada pela criogenia. As memórias de ambos começam a vir ao poucos, em pedaços que vão se juntando enquanto eles vão explorando a enorme nave indo de encontro a seus estranhos habitantes. “Pandorum” continuava com sua tensão e cenas de ação enquanto eu comecei a pensar nesse ator, Ben Foster. Não tinha muito conhecimento do trabalho do cara, achava ele apenas parecido com outros atores até que o vi em “Os Indomáveis” e depois aqui em “Pandorum”. Fui em uma cena do filme que assisti no 12º filme do ano que me lembrei de ter visto Ben Foster no divertido seriado cancelado injustamente “My name is Earl”. Com “Pandorum” prestei mais atenção no trabalho do cara e gostei do que vi, agora que posso liga-lo a alguns bons filmes poderei dar crédito aos próximos que virão quando ele estiver no elenco.

Claro que “Pandorum” também tinha o sempre eficiente Dannis Quaid e seu personagem perturbado pela viagem espacial. A cena mais bacana do filme é vivida por ele quando seu pensamento se confunde com a realidade e ele passa a confrontar a si mesmo, só que um pouco mais jovem. Desculpem pelo spoiler, mas precisei dizer pra poder expressar minha opinião sobre o filme, pois foi justamente neste momento que comecei a me mexer onde estava e comecei a entrar no clima do filme. “Pandorum” chegou ao fim comigo aplaudindo mas pela grande surpresa de ter gostado muito do filme do que por ser um grande filme.

Desliguei “Pandorum” pois meu sobrinho e meu primo estavam me aporrinhando o juízo por mais Naruto. Coloquei apenas 1 episódio do desenho e encerrei a noite assistindo a volta do seriado Chuck.

Então até a próxima sessão de “uma vida em filmes”.

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13 de Janeiro de 2010 - “O Efeito da Fúria”

Amanheci nesse 13º dia do ano lembrando que era aniversário de minha sobrinha Adriele, a quem devo um ingresso pro cinema. Fiquei com medo de acabar virando político que promete e não cumpri mas mais uma vez prometi que as levaria no outra semana. Cheguei no trabalho e na internet as noticias do desastre do Haiti continuavam. Uma manifestação de ajuda mundial começou no twitter, ajudei da forma que podia apenas divulgando as campanhas que surgiam.

No serviço tudo ocorreu como de costume, a mesma rotina de sempre do escritório. Durante o almoço, terminei a leitura de “O Clube do filme” emocionado, como sempre fico em todo final de livro. Havia começado as inscrições em disciplinas da faculdade mas o sistema da mesma não colaborava. Fiz minha inscrição muito porcamente enquanto ainda estava no serviço. Chegou a tarde e com ela o fim do meu expediente, parti para o conforto e sossego do meu lar. Ou melhor o que deveria ser (risos).

Em casa faltava água e minha internet também estava ausente. Peguei no telefone e comecei o aborrecimento com a fornecedora de internet. A coisa na minha conexão era tão feia que nem a página do Google eu conseguia abrir. Fui vencido pelo cansaço e resolvi deixar esses problemas de lado e botei mais um filme pra rodar e tentar me aliviar do stress de um fim de dia frustrante.

Escolhi “O efeito da fúria”, ótima escolha para o momento em que estava vivendo (hehehe). O filme com um elenco de ‘catigoria’ começou me agradando com seu modo de edição. Com cortes de cenas da sequência principal o filme vai mostrando o ‘efeito’ que aquele acontecimento faz na vida de cada personagem.

“O Efeito da Fúria” mostra como cada um reage ao vivenciar um ato violento e com esse plote o filme agrada bastante e nos faz refletir sobre nossas próprias atitudes. O personagem de Forest Whitaker ganha um pouco de sorte enquanto a personagem de Dakota Fanning torna-se religiosa. A mãe vivida por Kate Beckinsale cria uma obsessão pelo médico de Guy Pearce esquecendo dos cuidados com o filho, ao passo que o médico passa a drogar a própria esposa criando-lhe constantes enxaquecas. Além dos personagens mencionados tem ainda o garoto que decide se matar após cumprir com a promessa de não falar nada depois do acontecido.

Assistindo esse filme fiquei pensando em quanta verdade tem nele, quantos traumas esses atentados terroristas, desastres naturais, acidentes e até o stress constante do dia-a-dia não nos provocam. Acabei fazendo uma ponte com o caso do Haiti, um país que em toda sua história só teve sofrimento e dor agora vive seu maior desastre, já considerado o maior desastre mundial desde de o Tsunami de 2004. Fiquei imaginando quantos traumas não seriam criados ao ver corpos e mais corpos empilhados nas ruas formando imensas barricas. “O efeito da Fúria” aqui é devastador e é real.

A fúria sobre o Haiti é da natureza. Talvez seja tal fúria o efeito do homem sobre a Terra. Talvez seja tal fúria o grito da natureza de dor do efeito do homem sobre ela. Fiquei refletindo sobre isso enquanto o filme chegava ao fim. O restante das peças foi se encaixando e a cena principal foi totalmente revelada enquanto os personagens começavam a se livrar do “Efeito da Fúria”. Acabava mais um dia de “uma vida em filmes” era hora de me desligar e reiniciar no dia seguinte.

Até a próxima! :|

 

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12 de Janeiro de 2010 - “Os Indomáveis”

A terça-feira começou continuando o calor do dia anterior. Já pela manhã a caminho do trabalho encontro minha sobrinha chegando do trampo. Enquanto eu ia pro meu ela chegava do dela para tirar uma ‘pestana’, como diz minha mãe, e logo logo voltar pra luta.

Cheguei para a rotina do escritório e dia seguiu como os outros. Uma conferida nos e-mails e nas redes sociais que participo e uma olhada nas notícias. Enquanto trabalhava o Haiti era devastado por terremotos que levou a vida de milhares e deixou suas ruas cobertas de corpos dias depois. Lamentando a dor dos haitianos e feliz pela mobilização mundial que ocorria, acabei meu dia no trabalho e fui pra casa pra mais uma sessão de filme.

Cheguei em casa e minha outra sobrinha, é verdade eu tenho vários, me cobrou a ida ao cinema que havia prometido a elas. Lamentei dizer a ela que isso ia ter que esperar pois minha condição financeira não estava das melhores mas assim que estivesse bem levaria. A noite chegou e após assistir um pouco de Lost e outras séries, peguei o filme do dia pra colocar. Nessa hora minha mãe apareceu em minha porta pra me lembrar que ia começar o BBB. Acredite, já fui muito viciado nessa m****, graça a Deus, já superei.

Disse pra minha mãe que tinha coisa melhor pra fazer e enquanto quase todo o Brasil assistia ao escroto show eu apreciava o maravilhoso faroeste “Os Indomáveis”. Botei “Os Indomáveis” pra rodar e preparei-me para o filme de notável elenco e ótima direção. Devo dizer que nunca fui um grande fã de faroeste mas não por não gostar do estilo e sim por nunca ter tido a oportunidade de aprecia-lo realmente, nem os clássicos de Eastwood assisti. Eu sei, isso é um pecado pra qualquer cinéfilo que se preze, mas já estou cuidando de resolver este problema e a experiência com “Os Indomáveis” reforçou ainda mais essa necessidade.

Russell Crowe e Christian Bale tem uma química incrível em cena e são os grandes responsáveis por me fazerem gostar ainda mais do filme. O primeiro já foi mais do que provado ser um grande ator, o que eu tinha um pé atrás era com Bale. Sua interpretação do ‘Cavaleiro das trevas’ não me surpreendeu e não me convenceu do bom ator que ele era, fui gostar do cara quando assisti o filme “O Sobrevivente” dali em diante comecei a acreditar no trabalho do cara e só vieram bons papéis desde então.

Com “Os Indomáveis” tive uma experiência que misturava ansiedade e excitação. Um dos bandidos mais procurados do oeste é escoltado por um simples fazendeiro até o trem que o levará até a prisão onde ficará encarcerado. Uma aventura dessas não pode deixar menos do que muitos tiros e perseguição a cavalo em cenas espetaculares. O espetacular roteiro que inclui ótimos diálogos de Crowe e Bale, além de um elenco reforçado por Ben Foster e jovem ator que vive o filho de Christian Bale.

Emocionante o filme também é. Antes de uma aventura é a história de um pai que quer que seus filhos sintam-se orgulhosos do pai que tem e se pra isso ele precisar correr risco de vida ele fará. Ver o bandidão de Crowe fazer a revira volta do filme ao ouvir a história de Bale em meio ao tiroteio de seu bando é uma das melhores sequências do filme. Durante as cenas eu pulava e gritava palavrões tamanha a excitação.

Ben Foster surge como o grande rival dos 2 e junto de todos os habitantes do lugar que possuem uma arma atira fogo contra os heróis na estação que dá nome ao filme. O jovem ator que vive o filho de Bale surge mais uma vez para provar o talento que tem, vi este garoto em outro filme no ano passado e tive certeza que o cara ia ser um dos bons novos atores e não tinha visto sua atuação em “Os Indomáveis” até então. Agora tenho certeza.

O filme então foi chegando ao final e eu guardava a sensação de mais uma ótima aquisição feita. Fui dar uma olhada nos extras do dvd enquanto na internet e na televisão todos falavam da bosta do Big Bosta Brasil e eu feliz por ter “uma vida em filmes” pra me livrar do tédio de ficar vendo baixarias em uma casa com piscina.

Até a próxima sessão!

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11 de Janeiro de 2010 - “Julie & Julia”

‘Go back to the work’ e a rotina de mais uma semana, o que me alegra saber que terá mais filme ao fim do dia. No escritório o mesmo de sempre com o diferencial de ter que sair as pressas, pois na loja precisavam de minha presença. Na volta perco meu celular dentro da Kombi que me serviu de transporte de um canto pro outro. Lamentando a perda e já sabendo que quem achou não devolveria tratei logo de comprar outro, mesmo que de segunda mão. Estou agora um smartfone que esperava apenas um chip novo para ativar meu antigo número.

O calor estava infernal e permaneceu assim durante do resto da tarde, continuei no trabalho no escritório até dar minha hora e quando finalmente ela chegou corri pra casa na expectativa de mais uma sessão de filme. O escolhido desta vez era também o filme que me inspirou a escrever este blog. Coloquei “Julie & Julia” pra rodar e esperei para apreciar essa adorável e real comédia dramática.

”Julie & Julia” foi junto com ‘O Clube do filme’ o que me deu a idéia de fazer este blog e encarar o ‘desafio’ (risos) de assistir a no mínimo 1 filme inédito por dia, e já já explico porque. De volta ao filme, “Julie e Julia” começava e através de Maryl Streep e Amy Adams eu era apresentado a Julia Child e Julie Powell duas mulheres que acabam ligadas pelas histórias de suas vidas ainda que em épocas diferentes. A Julia de Streep vive na Paris de 1948 e me arranca gargalhadas com seu jeito de falar e seu francês embolado ao inglês. Divertidíssima a personagem vivida pela atriz veterana é a maior graça do filme. Impossível não rir falas da personagem durante suas sessões culinárias. A jovem Amy Adams não deixa por menos e emociona com a frustrada vida de sua Julie Powell que encara o desafio de preparar as receitas do livro de Julia no decorrer de 1 ano.

Foi da idéia real de Julie Powell que tive a idéia que originou este blog e agradeço ao filme por ter me proporcionado isso, pois digo estou adorando e tenho aprendido muito. Assim como Julie criei este blog para descrever minhas experiências com cada filme em cada dia do ano que vivo. Juntei a idéia de Julie, quando assisti ao trailer deste filme, com a idéia do “Clube do Filme” de Gilmour e desta união surgiu “uma vida em filmes'” que desde de o dia 01/01/10 vem me fazendo olhar essas produções de uma outra maneira e aprender com elas no meu dia-a-dia.

”Julie & Julia” continuou me fazendo rir ainda mais, me encantar com a sempre surpreendente interpretação de Maryl Streep e até chorar em algumas de suas cenas. Tornou-se um dos meus favoritos filmes e me deu ainda mais certeza de que o legal é fazer o que se gosta, e é essa a grande mensagem do filme. Julia e Julie aprendem que fazendo o que você mais gosta e o que faz melhor você consegue realmente ser feliz. Por isso continua com “uma vida em filmes”, bons ou ruins eles podem ser uma ótima experiência basta apenas saber aproveita-los.

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10 de Janeiro de 2010 - “Cruzada”

Olha o Domingo de novo e olha eu dormindo até as 10hr (risos). Como deu pra perceber aos que tem lido este blog não sou muito de sair sábado a noite mesmo assim, domingo é dia sagrado de se acordar no mínimo 10h.

Acordei as 10hr, como já disse, mas só fui sair da cama por volta de 12hr. Levantei e pulei o café-da-manhã para ir direto pro almoço. Era aniversário de um dos meus sobrinhos e sabia que a noite haveria reunião familiar por isso decidir assistir ao filme da vez, um pouco mais cedo. Como teria um pouco de tempo, escolhi um filme que exige justamente isso. “Cruzada” de Ridley Scott foi a escolha da vez.

Após a desagradável sessão anterior, nada melhor que um clássico épico de ótima qualidade, cujo título tenho em dvd duplo a quase um ano e nunca havia assistido. Botei “Cruzada” pra rodar e após resolver alguns problemas com a aceitação de meu drive de dvd as legendas do filme, sentei-me pra apreciar tão elogiada obra.

Prova de que trata-se de uma produção de primeira já nos primeiros momentos do filme meus olhos brilham diante do espetáculo de imagens das sequências de ação com espadas, arcos e flechas, cavalos e elmos típicos de um épico que se preze. Desde “O Senhor dos Anéis” que não via um épico de grande magnitude. O elenco de primeira encabeçado pelo eterno ‘Legolas’, Orlando Bloom, provam a excelência de Scott em escolher seus atores.

A dupla perfeita de Ridley Scott e William Monahan faz de “Cruzada” o sonho de todo garotinho que passa diante de seus olhos, como diz ambos nos extras do dvd. Todos em algum momento da vida sonhou em ser ou foi nas brincadeiras de infância um cavaleiro ou, no caso das meninas, uma princesa. Scott e Monahan escolhem uma história real pra levar as telas o épico de seus sonhos e tornam-se mestres no assunto. O cenário onde se passa toda a história é real e a economia em efeitos visuais é pouca. Assim como foi com “Gladiador” e como poderá ser com “Robin Hood”, “Cruzada” me emociona em seus momentos finais e entra pra minha lista de filmes de primeira qualidade.

O filme acaba e parto pros extras do dvd. A emoção aumenta pois sempre que assiste a documentários do meu estilo de filme predileto meu desejo é estar trabalhando naquilo, tamanho a minha paixão pela 7ª arte. A forma como se preocupam com cada detalhe em grandes produções como essa te dá ainda mais motivo para admira-la e dar-lhe o valor que merece e fico feliz de ter uma obra prima dessas em minha coleção.

Após o filme assisti o finalzinho da 3ª temporada de Lost, novamente (risos) e parti para o aniversário de meu sobrinho Jonathan. Comi um pouquinho de bolo e dei uma olhada no PC deles, pra variar. Voltei pra casa e coloquei no play mais Naruto pra meu chato primo. Fui dormir na expectativa de mais um bom filme no dia seguinte.

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09 de Janeiro de 2010 - “Gabriel – A vingança de um Anjo”

 

Segundo sábado do ano, nem parece mas o ano já esta passando rapidamente e quando menos perceber 2011 estará ai, meu ano de formatura quando finalmente serie um bacharel em S.I. Enquanto ele não termina e as aulas não se iniciam sigo com minha rotina de assistir a pelo menos um filme por dia. A única regra que devo seguir é justamente essa, ser ao menos um filme que assisto a primeira vez a cada dia, sem me importar se é um grande filme ou não. Para provar isso o filme que escolhi para esse dia serve perfeitamente.

No sábado meu expediente de trabalho é até meio dia, sendo assim trabalhei toda a manhã e ao final dela fui para o descanso de meu lar pois minha toca me esperava. Meus primos insistiam em assistir mais episódios do anime Naruto e tanta insistência me fez por os desenhos pra rodar. Quando me cansei, disse chega e fui assistir mais alguns episódios de Lost e Entourage. Tirei um cochilo e quando acordei já eram 20h, coloquei pra assistir o que seria o filme do dia: Halo War.

Halo passou tão rápido em seus 40min que não fiquei satisfeito e tive que por outro filme pra substituí-lo. A escolha então foi por “Gabriel – A vingança de um Anjo”. A troca foi por “Halo” se tratar de um curta de animação feito especialmente para fãs e como games não está na minha lista de preferências filmes feitos unicamente para eles também não.

O filme da noite era dublado fazendo minha sessão continuar com o pé esquerdo, depois da decepção com o tal “Halo”. “Gabriel” começava e a intenção parecia de um filme que quer ser de ação tentando fazer uma boa história e que acaba devendo em ambos. O tema ‘batalha entre anjos no purgatório’ não é dos piores e o filme poderia ser muito bom se fosse conduzido por ‘mãos’ melhores, acredito eu. Logo no inicio do filme com a narração contando a história, achei que no fim o filme poderia até ser bom, chegando a me lembrar um pouco o tema da série “Supernatural” em alguns episódios de sua 3ª e 4ª temporada. Doce engano meu pois em “Gabriel – A vingança de um Anjo” tudo não passa da tentativa infeliz de ser um bom filme. Já nos 30 min de filme minha vontade era parar de ver aquilo mas não podia estragar minha promessa e mesmo sendo uma bosta de filme, com más interpretações e muita coisa mal feita junta, continue até o fim do tormento.

Ao final do filme não consegui dormi logo em seguida, ao contrario de quando você assisti um bom terror e não consegue dormir pois aquilo tá na sua cabeça, “Gabriel” ficou na minha como uma má experiência. Mas com tudo agente aprende e com os ruins agente aprende a fazer melhor ou diferente. Para aliviar o tormento fui assistir mais um pouco de Lost pra deixar na mente pelo menos uma história com roteiro sempre inteligente e interpretação e direção estupendas.

Até a próxima! :)

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08 de Janeiro de 2010 - “Jean Charles”

Sexta-feira. Dia de Follow Friday no twitter, não sei porque comecei com isso, mas tudo bem. Final de semana chegando e mais filmes me aguardando. Enquanto acordo rumo ao trabalho, minha mãe comenta sobre o show do Belo que terá numa cidade vizinha aqui. Eu digo – Éca, to bem com a minha nerdisse obrigado. Perder meu tempo em showzinho de pagode, a faça me um favor. Meus filmes ficam como? (risos)

No trabalho, o basicão de sempre: algumas postagens nos blogs; uma twittada aqui e ali; checar e-mails, meus e da firma; passada rápida no orkut; leitura de “O Clube...” durante do almoço; pestana; mais trabalho; fechamentos e casa.

Em casa a vez é do primeiro filme brazuca do ano. “Jean Charles” começa e já me decepciona com o menu de dvd mal feito. Fala sério! Pareceu preguiça de fazer o negócio direito, tirar uma cena completa do filme e deixar com efeito no menu. ridículo! Mas aí o filme começou e ainda tinha esperança. A história, conhecida por muitos, abalou o mundo e deixou a polícia inglesa em maus lençóis, apesar de até hoje os culpados do trágico fim de Jean ainda estarem livres.

O filme em sí não é bom. O que ganha a minha atenção é a história que ele quer contar. Não me convenceu a proposta do diretor de fazer uma mistura de ficção com realidade fazendo o filme parecer um documentário. O cara ainda ousa ao colocar não-atores para atuar e até pessoas que viveram todo o fato real interpretando a sí mesmos na telona. Acho que ou se é uma coisa ou se é outra. A mistura que Henrique propõe fica confusa e perde a qualidade técnica, você não sabe se é um documentário ou um filme comum o que está vendo. Os atores improvisando, porcamente, devo dizer perdem o talento. Nem o grande Selton Mello está grandes coisas nesse filme.

Mas, segui o que propôs o David Gilmour e curti o filme pela sua história e nada mais, por que em alguns momentos deu vontade de parar de ver. Na história, não totalmente real que o cineasta faz questão de dizer no extra do dvd, “Jean Charles” é retratado como um ser humano que erra mas que acaba pagando por um erro diferente do que cometeu.

Ver o filme me fez lembrar do sonho de morar no exterior que algumas pessoas tem, se aventurar em novos lugares, melhorar sua vida financeira e a de seus familiares, voltar ao pais natal e começar um negócio. Vejo isso positivamente e negativamente. Também penso em um dia, quem sabe, conhecer algum outro país, talvez até morar, mas não me arriscaria a viver em um lugar onde o medo do terror é tanto que inocentes acabam pagando pelo crime dos outros.

Algumas pessoas são tão fissuradas pelo sonho de viver no exterior que sacrificam tudo por ele e quando lá chegam o arrependimento bate. Com todas as dificuldades da nossa terra é aqui que é meu lugar. Não digo nunca, pois o amanhã a Deus pertence, mas permaneço em terras brasilis enquanto possível for.

”Jean Charles” em mim ficou assim, mostrando como a dificuldade de viver em nosso país faz buscarmos coisas melhores fora dele. Abandonados a própria sorte o improvável pode acontecer como o trágico fim de Jean. Mesmo não tendo gostado tanto do filme devo dizer que foi válido refrescar minha mente com o assunto imigração. O filme e a história real de Jean Charles ensinam que sempre haverão riscos cabe a cada um saber o quanto vale corrê-los pelos seus sonhos.

”Jean Charles” chega ao fim e parto pros extras do dvd pra ouvir as explicações sobre tal produção, mas deixo esses comentários lá pro Pela Arte.. Sigo com “uma vida em filmes” no próximo dia. Então até a próxima sessão.

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07 de Janeiro de 2010 - “O Lado Cego”

Acordei na quinta meio que animado com esse lance de assistir um filme por dia como uma regra, uma obrigação. A idéia me fez pirar com outras coisas como: ler pelo menos 1 capítulo de um livro por dia, estudar pelo menos 1 assunto por dia, etc. Isso tudo em meio as outras tarefas realmente obrigatórias do trabalho e da vida pessoal.

Falando em trabalho, foi nesta quinta-feira que ‘in my office’ minhas tarefas do dia seriam executas em dois lugares, escritório e loja. Foi na loja, 2º local de trabalho onde só atuo em ocasiões emergenciais, que durante o almoço, devo frisar, comecei a assistir o filme “O lado Cego”. O resto da tarde acabou passando rápido, tão rápido que eu e meu colega de trabalho nem percebemos a hora passar e quando fomos ver já passavam das 17h. Fechamos a loja e cada um seguiu rumo a sua casa. Antes porém, fui ao centro pra sustentar outro vício e com uma barra de chocolates na mochila segui pra mais uma sessão diária de filme.

O calor absurdo que tem feito neste iniciozinho de ano não me impediu de trancar as janelas escurecer minha toca e colocar “O lado cego” pra rodar no maior clima. O filme começou do início, mesmo já tendo visto metade dele durante o almoço no trabalho fiz questão de assistir novamente. Com um elenco de primeira ‘catigoria’ encabeçado por Sandra Bullock, maravilhosa atriz que voltou com tudo em 2009, e com uma história real, bonita e engraçada.

Agora, escrevendo sobre  “O lado cego” é que fui me dar conta que a maioria dos filmes que assisti até agora em 2010 foram produções baseadas em fatos reais. O filme de Bullock é apenas o primeiro que comento aqui, mas após ele teve: “Jean Charles”, “Cruzada” e “Julie e Julia”. Conscidência ou não a maioria também vem de inspiração em livros, coisa que a maioria das produções cinematográficas fazem. “Veronika…”, “Preciosa”, “Clube da Luta” e também este filme vieram de livros. E também por conscidência nenhuma acabam sendo as melhores produções.

Nunca entendi sobre Futebol Americano mas com o filme ficou interessante o jogo amado dos gringos. Entende-se um pouco do jogo quando no inicio do filme Leigh Anne explica algumas regras e nos conta o significado do título da produção. O herói da história, com ótima interpretação do desconhecido ator Quinton Aaron, é o protetor da família que o acolhe e dá a ele um caminho a seguir. Um filme emocionante sem ser dramalhão. Uma história real que mostra que ainda existem pessoas de bom coração no meio do glamour, do dinheiro e do poder.

Ao final conhecemos os personagens da vida real e podemos notar a fidelidade que diretores e atores tiveram da história e da caracterização dos personagens. Muito bom filme.

“O lado Cego” acabou e os seriados me aguardavam, mas na porta do meu quarto meus primos também aguardavam. Para eles era hora de Naruto. Deixei de lado Lost, Entourage e companhia e fui pra um pouco de Anime. Quanto a “uma vida em filmes”, bom, continua no próximo capítulo…

Até +!!

 

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06 de Janeiro de 2010 - “Zumbilândia”

Acordei na quarta ainda sobre efeito do “Clube da Luta” meio baleado. Fui dormi tarde pois, como disse na postagem anterior, tive insônia. Fui trabalhar e em meio as tarefas do escritório fui escrevendo postagem pra este blog e para o Pela Arte. Ao mesmo tempo que trabalhava e blogava, voltei a ler o material que recolhi para minha monografia que farei esse ano. Confesso que minha animação com informática diminuiu bastante de uns tempos pra cá, mas ainda assim tenho que terminar o que comecei né.
Ler “O Clube do filme” me dá ainda mais desejo de viver meu sonho. Ser cineasta. Nunca desejei tanto isso. Como disse a animação com info michou bastante e minha leitura de “Web Analytics – Uma visão brasileira” perdeu pro livro de David Gilmour. Durante meu almoço é esse livro que me acompanha, com “O Clube do Filme” tenho aprendido a apreciar muito melhor os filmes e me fascino até com os comentários dos filmes que nunca vi na vida.
O dia até que passou rápido nessa quarta-feira, após ir no centro resolver algumas contas fui pra casa pra mais um dia de filme. A escolha da noite foi uma comédia pra aliviar o bando de dramas e filmes tensos que vi anteriormente. A primeira comédia do ano é também o melhor filme de zumbis de todos os tempos (risos). Coloquei “Zumbilândia” pra rodar e esperei pra continuar as gargalhadas que já havia dado com o trailer do filme.
Quando vi o trailer e as regras de sobrevivência do personagem Columbus eu tive certeza que iria gostar do filme. A maioria dos filmes de zumbi que assisti me fizeram rir mais do que aterrorizar, por isso digo que esse é melhor filme de zumbis de todos os tempos. O filme fica ainda melhor com a narração do personagem principal explicando as regras para se viver em Zumbilândia. Quando Wood Harrelson aparece aumenta ainda mais o clima cômico do filme, e o que dizer de Abigail Breslin de novo arrebentando em mais um filme. A dupla Wood e Abigail garante boas cenas no filme e é super hilário as escapadas das irmãs deixando os 2 caras sem carro durante várias sequencias do filme.
Está certo que o filme não é aquela comédia hiper inteligente que fica marcado como uma das melhores, mas eu precisava de um filme pra distrair e que fosse menos tenso e “Zumbilândia” funcionou muito bem pra isso. Depois de um inicio de ano cheio de dramas, uma comédia é sempre bem vinda. Assim continuo com ‘uma vida em filmes” e na quinta-feira tem mais.
Até a próxima!
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05 de Janeiro de 2010 - “Clube da Luta”

Minha terça-feira foi escolhida para ser minha 1ª ida ao cinema em 2010. Trabalhei durante o dia, onde fiz as tarefas diárias normais do escritório, porém ainda um pouco puxadas por ser início de mês. Tinha prometido aos meus sobrinhos que como presente de Natal, os levaria ao cinema, mas, como alguns sabem, não são 1 ou 2 sobrinhos apenas que tenho, passam de 6 no total e, modesta a parte, sou um grande tio (risos).

Pois bem, para cumprir a promessa, de um jeito que não pesasse no bolso, os dividi em duplas e a cada semana levei uma. Achei que esse seria um presente divertido e educacional pois cultura sempre é bem vinda, mesmo que não seja de grande qualidade. Na primeira semana os levei pra ver “A Saga Crepúsculo: Lua Nova”, um filme horrível, mas que eles gostam. A segunda dupla iria ver comigo o maravilhoso “Avatar”, mas a procura pelo filme era tanta na terça-feira, dia de promoção do cinema de minha cidade, que tivemos que assistir “2012”. Nesta semana levaria a terceira dupla, Carol e Adriele e o filme escolhido havia sido “Alvin e os esquilos 2”, pois o grande desejo delas (“Xuxa e o mistério de feiurinha”), ainda não estava em cartaz.

Saí do trabalho e ao chegar em casa as duas estavam arrumadas e anciosas pela sessão de cinema com o tio, fiquei feliz em saber que eles gostaram da idéia, pois quando se tem uma paixão passar isso adiante é uma ótima sensação. Essa será a maior herança que deixarei aos meus, o meu amor pela 7ª arte.

Seguimos viagem e grande foi o meu desapontamento ao saber que não poderia ‘entregar’ meu presente por completo. Na porta do Cinemaxx Araruama o aviso - “Estamos fechados por falta de energia” – Uma multidão na porta do cinema dava a certeza de que os donos estavam jogando dinheiro pela descarga, mas o mais triste era ver no rosto da criançada que a festa tinha acabado antes mesmo de começar.

A solução foi voltar pra casa e aguardar uma outra oportunidade. Os olhinhos delas voltaram a brilhar quando contei a possibilidade de poderem assistir ao que queriam desde o início. A caminho de casa passei com elas numa loja e resolvi levar 2 dvds, afinal, minha tarefa tinha de ser cumprida e o filme do dia eu ainda não tinha visto. Levei os dvds de “Os Indomáveis” e “Clube da luta” e foi o segundo que escolhi para substituir o filme dos esquilos. Devo dizer, uma grande compra e uma ótima decisão.

Ao chegar em casa botei “Clube da Luta” pra rodar esperando um ótimo filme de ação e nada mais que isso. Com 50 min de filme estava gritando, xingando e pulando tamanha excitação na forma como o filme faz você se surpreender. O filme de ação mais inteligente ‘ever’. O elenco é F.O.D.A.. A direção é F.O.D.A.. O roteiro é F.O.D.A.. Claro, tudo no bom sentido. Ultimamente tenho comprado alguns ótimos dvds mas essa foi uma das minhas melhores compras.

Mesmo tendo assistido ao filme dublado, coisa que não curto muito, a qualidade se manteve lá em cima. Levei 10 anos para ver esse filme e talvez por bom motivo, pois acho que não admiraria tanto o filme anos atrás. Muitas pessoas falavam do filme e eu nunca tinha a oportunidade de ver, cheguei a pegar o dvd algumas vezes para comprar mas sempre era trocado por outro. Parecia uma sensação de que não gostaria muito do filme e ia passando. Isso foi bom pois a surpresa fez o filme me agradar ainda mais.

Em certo ponto do filme quase vi uma semelhança com o protagonista Jack de Ed Norton com as minhas noites de insônia, mas ao contrário do cara que vira a noite fazendo compras, indo a grupos de apoio ou se engalfinhando em algumas brigas, minhas insônias são regadas a filmes e seriados. Não vou falar muito do filme pois tenho que deixar um pouco para meu outro blog e não quero deixar spoiller pros que ainda não assistiram. Digo apenas que prestem atenção na cena em que Ed Norton confronta seu chefe fazendo a maior cena em seu escritório, no final do filme você percebe porque o filme é tão inteligente e esta cena lhe dá a dica.

Encerrei a noite com “Clube da Luta” na mente e simplesmente maravilhado com o filme. Lembrei da leitura que tinha feito na hora do almoço de outro clube, “O Clube do Filme”, onde Gilmour fala que certas produções, quando assistidas em certa idade, te deixam tão envolvidos que você só quer saber da história que o filme conta, sem se preocupar com qualidade da fotografia, da direção ou do roteiro. Gilmour fala que em certa idade você começa a perder esse encanto de ver o filme em si pra passar a se preocupar com seus detalhes. Não digo que “Clube da Luta” não tenha qualidade e talvez isso até contradiga o que disse lá em cima, mas quero que os meus aproveitem sua juventude também assistindo os filmes desse jeito e que demore um pouquinho mais para me ligar apenas nos detalhes e que eu continue vivendo “uma vida em filmes” da melhor maneira possível.

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04 de Janeiro de 2010 - “Preciosa”

A Segunda-feira começou como o primeiro dia oficial do ano. De volta a rotina do trabalho pra casa, de casa pro trabalho, pra mim um pouco diferente pois em meio a isso tenho a Obrigação de assistir a pelo menos 1 filme por dia. Acordei as 6:30 e me aprontei pro trabalho, cheguei no escritório e o primeiro dia de trabalho prometia ser puxado. Lembrando de uma conversa que tinha tido com um colega pela internet no dia anterior, acabei percebendo que estava assistindo um filme por dia para cada um dos 3 dias do ano que começou e na conversa falávamos justamente sobre metas e coisas que pretendíamos fazer durante o ano, foi aí que se iniciou a idéia que originou este blog. Hoje estou assistindo a pelo menos 1 filme por dia e pretendo fazer isso durante todo o ano.

No trabalho coisas inacabadas do ano anterior me esperavam e minha promessa também teria que ser cumprida, além dos filmes, prometi em 2009 que neste ano finalmente faria o sistema de informação da firma onde trabalho. Nesse dia pensei muito no assunto e tenho posto ordem nas operações diárias para pensar certo como deverá ficar o sistema. Mas no fundo o meu prazer maior, não devo negar, é chegar a hora de curtir mais uma sessão de filme e ao fim da tarde após cumprir minhas tarefas ‘in office’, corri pra casa em ansiedade.

O filme previamente programado é uma atual produção concorrente ao Globo de Ouro, produzido por Oprah Winfrey e com um elenco de estrelas da música como Mariah Carew e Lenny Kravitz. Botei pra rodar “Preciosa” e preparei-me para rolar as emoções. A triste história de Claireece "Precious" Jones é um exemplo de superação.

Ver uma história como essa me faz lembrar das monstruosidades que existem do mundo, onde aqueles que deveriam cuidar e amar os seus são justamente os que os empurram pra baixa e transformam uma vida de sonhos num pesadelo real.

A jovem preciosa, mesmo em suas condições, consegue força e apoio pra superar e sonhar com uma vida melhor. Enfrentando mais dor e sofrimento ela não desiste dos filhos gerados de maneira tão cruel e luta pra ter a guarda de suas crianças e poder proporcionar a elas o que seus pais nunca fizeram a sua “Preciosa” filha. No fim do caminho, como se não bastasse tanta dor, mais uma bomba explode e a falta de alguém que a ame triplica o sofrimento, mas sempre há esperança e com apoio dos que ainda gostam dela, a garota descobre o que é esse sentimento tão necessário pra uma vida digna e feliz.

Não é difícil dizer que chorei bastante em muitas cenas do filme. Me emociono em quase todos os filme que assisto e é difícil meus olhos não lacrimejarem, mesmo quando trata-se de uma comédia. Acho que a paixão é tanta que consigo ver beleza no mais tosco que existe. Mas esse filme é pra chorar mesmo, nos faz lembrar de agradecer a vida que levamos e pensar que por pior que estejamos podem haver pessoas sofrendo ainda mais.

“Preciosa” foi só o 4° filme do ano, 361 dias/filmes ainda me esperam, tenho que renovar meu estoque de lágrimas para seguir com “Uma vida em filmes…”.

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03 de Janeiro de 2010 - “Veronika decide Morrer”

No domingo, não sei como, acordei com a disposição do sábado. Disposto a dar aquela geral que havia prometido no dia anterior, mas dessa vez foi pra valer. Acordei em 10:30 e 11:00 AM, fiz minhas necessidades matutinas e comecei os trabalhos. Me empolguei tanto que a animação foi pro restante da casa, quando vi estava no quintal limpando e lavando tudo pra deixar de vez 2009 pra trás.

Ao acabar a limpeza, engatei com minha mãe pra ajudá-la com um tapete que a tempos ela queria que a ajudasse a lavar. Aproveita a ocasião e o calor e fui viver o típico verão suburbano, com direita a banho de borracha e mergulho numa “psedo-piscina'” (risos). Me refrescava enquanto lá na minha toca, no último volume, rolava um dvd do Oswaldo Montenegro, coisa meio inusitada, pois Oswaldo não é um típico cantor pra se ouvir em dias de verão. Mas lá estava eu, me banhando e cantarolando “Bandolins”, “Lua e Flor” e “Léo e Bia”, em fim, coisas de um maluco por arte.

Quando cansei daquilo, entrei pro almoço e pra apreciar uma obra baseada num best seller de um dos mais famosos escritores brasileiros. Ninguém mais, ninguém menos que Paulo Coelho. O autor é um dos meus ídolos, adoro seus livros e tenho orgulho de dizer que tenho pelo menos 2 deles em minha estante, estão lá “AS Valquírias” e “O Vencedor está Só” e volta e meia estou relendo. Acontece que o filme escolhido pro domingo veio de um livro que não tinha conhecimento, o que sugere que não sou tão fanático assim por Coelho. (isso ficou engraçado)

Eniuei. Coloquei pra rodar, “Veronika decide Morrer”. A princípio não acreditando muito em Sarah Michelle Gellar mas confiando na história criada originalmente por Paulo. Já nos primeiros momentos, no ato de suicídio, a atriz pois fim ao meu preconceito com uma atuação ótima e surpreendente. Fui mergulhando com Veronika em seu drama pra descobrir o que a levou a cometer ato tão ‘corajoso’ me lembrando que por vezes quis fazer o mesmo. Faltou-me a ‘coragem’ da jovem que, tem como estopim para seu ato a repugnância com essa sociedade escrota na qual vivemos, quando lê uma simples campanha que diz “O verde é o novo preto”.

Continuando o filme, Veronika não tem sorte ao atingir seu objetivo acaba tendo que viver mais alguns dias e esperar a morte vir na hora certa. Mas pelo menos agora ela não está mais no seu emprego de Gerente de contabilidade de uma grande empresa e nem mais na constante social-futilidade de uma sociedade que te obriga a casar, ter filhos, trair, ser traído, beber e continuar o mesmo ciclo de vida que muitos outros, até seus conhecidos já tiveram. Até parar e perceber, vivi isso tudo mas será que fui feliz?! Pra onde foram meus sonhos e planos de ser escritor, dj, professor, cineasta? Troquei isso tudo porque a sociedade diz que isso não dá dinheiro, isso não dá suporte pra sustentar uma família, isso é sofrer o pão-que-o-diabo amassou só pra realizar um sonho? Bom, eu respondo.

Entendo perfeitamente a atitude de Veronika e como disse, muitas vezes pensei em fazer o mesmo. Sejamos francos, qual o ser humano insatisfeito com a vida que vive não pensou. Mas coragem não é simplesmente desistir de tudo e por um fim na história e por isso grifei esta palavra anteriormente. Coragem é seguir em frente e encarar tudo isso de frente, ainda que a sociedade não te aceite por sua opção sexual, sua raça, sua condição financeira, sua religião ou o que seja. Coragem é acreditar no que deseja e lutar pra realizá-lo, sem medo de dar certo ou errado. Coragem é acordar e respirar mais um dia que você sabe que vai ser difícil, mas que a esperança de um sonho pra realizar de dá forças pra continuar. Coragem é perceber que não importam os outros, que temos que viver o que a natureza nos dá e deixar que ela nos tire quando bem entender.

Quando acordei neste domingo, antes de assistir “Veronika ..” e antes de saber como terminava sua história eu já tinha consciência daquela mensagem que Paulo Coelho e o filme passa. O que fiz nas tarefas mais simples do inicio desse meu dia foi justamente isso, apreciar o momento mais simples, a tarefa menos luxuosa cada segundo que a vivi, crendo na esperança de que tudo vai ser como tiver que ser, mas desistir, isso 'NUNCA’. Sigo vivendo “uma vida de filmes”, acreditando e esperando pelo dia em que os meus estarão fazendo com outros o que esses tem feito comigo.

 

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02 de Janeiro de 2010 - “Tristão e Isolda”

No sábado acordei com disposição para enxotar 2009 de vez das minhas coisas e do meu canto, no entanto, me dei conta do catálogo que tenho feito para organizar minhas muitas mídias. Passei o dia inteiro catalogando dvds e cds no banco de dados que crie especialmente pra isso e nem vi a noite chegando.

Já no fim da tarde depois de assistir muitas séries, ler mais algumas páginas do ‘Clube’, resolvi dar uma zarpeada pela rua, pra ver o que rolava.

Sai, rodeia a cidade e nada de interessante me agradou na segunda noite quente de verão do ano. Após passar por uma doceria e comprar uma barra de chocolate amargo e uma Coca-cola, resolvi voltar pra casa da mesma maneira que sai. A pé, somente na companhia de meus pensamentos, pensando sempre como sou solitário e único ouvinte de meus próprios problemas, cheguei em casa mais cedo do que imaginava e ainda a tempo de cumprir com meu filme do dia.

O filme da vez foi “Tristão e Isolda”, um romance. Justamente no dia que voltei pra casa ‘alone’ e pensando justamente nisso, um romance encerra meu dia. O filme, muito agradável, ficou ainda melhor pois foi o primeiro épico a tocar no home theater que me dei de presente de natal. O som das batalhas e o clima medieval fica muito melhor quando se aprecia em 6 canais de áudio. No fim fui dormir sonhando, como todo grande romântico, em viver um romance como o do casal título do filme. Sei que isso soa meio brega, mais que seja, é a verdade. Decidi que farei e direi o que sinto, me importando apenas com o que eu gosto. É hora de viver pra mim e não para o que os outros querem que eu viva. E o que quero é viver “Uma Vida de Filmes...”

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01 de Janeiro de 2010 - “A fita branca”

No primeiro dia do novo ano acordei já a duas horas da segunda metade do dia um pouco indisposto. Creio eu pela noite anterior que, apesar de não ter sido aquelas de deixar de enorme ressaca, deixou-me sim bem cansado. Levantei e como de costume a casa estava cheia de irmãos, sobrinhos, primos e vizinhos preparados para o primeiro almoço do ano e gritando a mim que preparasse o som para animar a festa. Após o almoço e a despedida das visitas voltei pra minha toca para colocar minha ‘watch list’ pra rodar no meu desktop, especialmente preparado para isso. Minha toca é como humildemente chamo meu quarto: um quadrado onde, além da cama e armário de costume em qualquer quarte que se preze, há também uma estante, onde estão meus livros, dvds e cds, a mesa onde ficam meu desktop e meu notebook e agora um home theater, para aumentar ainda mais minhas emoções e meu envolvimento com as produções que assisto.

Qualquer um que leia este blog deve pensar, que geek, que nerd, que *$%#@, ou qualquer merda que venha a cabeça. Pois que seja, adoro mesmo ‘loser my time’ como gosta de dizer um amigo meu, e troco sim muitos outros programas por um bom filme. Assim, continuando, comecei minha jornada de 2010 com um maravilhoso filme em p&b que me surpreendeu e me conquistou e junto de outros me deu a idéia deste blog e deste desafio que estou armando pra mim mesmo. “A fita branca” começava timidamente com o narrador em primeira pessoa me apresentando a aldeia onde morava com seus mistérios e dramáticos acontecimentos e me deixando menos adverso a língua alemã que tanto desprezava. Enquanto “A fita..” rodava as pessoas de minha casa se aprontavam pra mais uma primeira coisa do ano, um show de rua. Lembro que nessa hora lembrei da história que falam que tudo o que se faz no primeiro dia do ano você acaba fazendo o ano inteiro, sorri comigo mesmo pois era justamente o que queria e o que pretendo fazer: passar os 365 dias de 2010 como “Uma vida em filmes..”

No primeiro filme do ano aprendi a apreciar uma produção em p&b não só pela beleza de sua fotografia, pois a produção escolhida também foi de roteiro, direção e elenco de qualidade. Um retrato de uma época onde mostrava uma Alemanha também sofrida e esse sofrimento vinha nos olhos de suas crianças. Um filme estrangeiro de excelência que deixa longe as poucas esperanças de prêmios pro Brasil no Oscar ou outras premiações em que concorram. O filme acabou e quase que palmas dei ao seu final, mesmo com um fim que não me agradou tanto. Ao término do 1° filme do ano dei um tempo na ‘watch list’ e voltei ao outro motivo deste ‘projeto’, se assim posso chamar, engatei na leitura de “O Clube do Filme” que vem me fascinando e me despertando cada vez mais vontade de assistir e escrever sobre filmes e etc.

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