05 de Fevereiro de 2010 - “Cidadão Kane”
Sexta-feira de véspera de feriado começou e ficou agitada o dia inteiro pra mim. Logo cedo parti em minha caminhada rumo ao escritório. Cheguei e já tinha que agilizar tudo para que na parte da tarde estivesse livre para ir como substituto para loja da firma.
Durante a manhã no escritório era só notas pra lá, planilhas pra cá, atende telefone aqui e imprimir relatório ali. Entre uma coisa e outra, pra não entrar em crise de abstinência, dava um olhada no Orkut, uma navega pelos sites de notícias e uma atualizada em meus blogs.
O almoço chegou e com ele mais um pouco de leitura de “A menina que roubava livros”. Após a soneca de sempre, terminei os afazeres do escritório e parti pra loja. Na loja a coisa é bem mais calma e sempre que vou pra lá, aproveito pra fazer o que estou fazendo agora, escrever os posts atrasados dos meus blogs. A propósito, neste momento estou na tal loja, só pra constar, e hoje é 08 de fevereiro.
Enquanto escrevia, começava a fazer o balanço semanal da loja e assistia a alguns vídeo clipes. Para minha sorte, assim como meu notebook, eu também sou muito tarefa. No relógio do note marcava 18h e embarquei com meu chefe de volta pra fábrica para concluir os trabalhos e enfim ir pro descanso do meu lar. Doce engano meu!
O sonhado descanso teve que esperar e fui dar um jeito no ‘muquifo’ que estava meu quarto e quando terminei já eram 21h. Enquanto ajeitava as coisas botei pra rodar no PC alguns clipes até que a criançada apareceu e juntou-se na porta da toca para assistir, me pedindo infinitamente que repetisse a chatinha música de Taylor Swift - You Belong With Me. Acabei com a bagunça, no duplo sentido e fui pro banho pra correr com meu filme da noite. Voltei e pus pra rodar o clássico de Orson Welles, “Cidadão Kane”. O filme começava e eu me ajeitava para aprecia-lo.
”Cidadão Kane” é considerado por muitos o melhor filme de todos os tempos, principalmente pelos amantes de clássicos da 7ª arte. Motivos não faltaram para que eu tratasse de correr atrás e assistir esse filme. Em “O vencedor está só” uma das personagens de Paulo Coelho fala do filme e em “O clube do filme”, David Gilmour o incluí entre os clássicos que assisti com seu filho. Essas duas obras são as últimas recordações que tenho de comentário sobre o filme, a personagem de Coelho elogia bastante o filme, já Gilmour não achou grandes coisas, fui então conferir e tirar minhas próprias conclusões. Acho que no fim, estou mais pra Gilmour.
O cansaço estava tomando conta do meu corpo e o esforço para continuar assistindo era muito e lá fui eu. Talvez essa última frase faça pensar que achei o filme chato mas não é o caso. O filme é muito bom, tem um roteiro incrível e grandes atuações, já analisar a parte mais técnica não me cabe, devido a época do filme. Posso dizer que a sequência de abertura é de arrepiar com aquele áudio embalando as primeiras imagens da mansão de Xanadu. Acho que qualquer um que assisti o filme pela primeira vez pensa ser um filme de terror, mas logo se engana.
A narração inicial assusta com os autos gritos do narrador fazendo um resumo do seu personagem título. Os atores são estupendos, dando vida aos personagens de maneira única e com uma caracterização envelhecida perfeita. Orson Welles além do excelente cineasta que todos conhecem é o protagonista e melhor ator do filme. Mas o que achei melhor no filme foi a forma como a história do “Cidadão Kane” é contada. Através das lembranças dos conhecidos de Kane a sua história vai sendo mostrada na tela, da infância contada pelo seu ‘tutor’ até o fim de sua vida na mansão Xanadu contada por sua última esposa.
As lembranças de seus conhecidos vão se juntando e formando a história de Kane, mas a pergunta do jornalista que corre atrás de sua história não é respondida por nenhum deles, e o que eu entendo disso tudo. Entendo que nenhum deles conheceu o verdadeiro Kane que na sua última palavra diz o que mas lhe importava na vida. Essa é a parte bonita do filme e o que talvez o fez ficar tão marcante estando vivo na presença de muitos até hoje. Não sei se estou correto no que disse, mas foi o que senti e foi o que o filme me passou.
Procuro explicar aqui como ficou “Cidadão Kane” para mim e pra isso usei um pouco da sinopse do filme mas sem revelar a real beleza do filme que acredito está, em sua maior parte, no roteiro. Só pra fechar “Cidadão Kane” é um lindo filme, mas ainda não acho o melhor. Talvez seja uma questão de gostos e preferências, ou até de época, mas falando em época, ainda é um filme que dá o que falar. Adorei e recomendo aos amantes do cinema que ainda não conferiram, só digo que o filme exige uma certa dedicação total para apreciar cada cena e cada momento. Há momentos marcantes no filme que tenho certeza, influenciaram a maneira como se fazem os filmes até hoje e não me cabe menciona-los aqui. Em fim, dedique um tempo e curta “Cidadão Kane”.
Eu estava bem cansado na noite em que assisti e por isso assisti novamente no dia seguinte para sentir o filme e escrever essas linhas. E aqui estão. Espero que tenham curtido mais um dia de “Uma vida em filmes”.
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